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Betty Lago: "Estar atuando em Pecado Mortal é como um renascimento"

publicado 20/09/2013 - Wal Ribeiro

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Betty Lago conta sua história de superação
Foto: AgNews

A vida da estrela Betty Lago, 58 anos, uma das protagonistas de Pecado Mortal, próxima novela da Record e que estreará no dia 25, anda uma correria só. Além da trama de Carlos Lombardi, autor de outros sucessos dos quais participou, como Quatro por Quatro (1994), Vira-Lata (1996), Uga Uga (2000), Kubanacan (2003), Bang Bang (2005) e Pé na Jaca (2006), a atriz apresenta o reality Detox do Amor, no canal GNT. Valeu a pena esperar por essa volta à TV. Corajosa e franca, a ex-modelo internacional, que descobriu ter um câncer na vesícula em fevereiro do ano passado, não escondeu o medo que teve, a tristeza pela perda dos cabelos após o tratamento (que, felizmente, deu certo), e como agiu ao se ver cara a cara com a morte.

Stella Nolasco, sua personagem em Pecado Mortal, é uma vilã?
Ela é uma viúva rica, que volta ao Brasil após anos para resgatar os dois filhos que lhe foram roubados na juventude. Parece que haverá um desdobramento e ela poderá vir a treinar meninas para a prostituição. Mas isso ainda não ficou claro.

Esse trabalho tem um significado especial por causa de sua recente luta contra o câncer?
Nossa, representa tanta coisa! O ano passado foi difícil... Tive de parar minha vida em função da doença e do tratamento. Estar atuando em Pecado Mortal é como um renascimento! Trabalhar com o Carlos Lombardi é muito representativo para mim. Existe um casamento, uma afinidade grande entre nós.

Como lidou com a situação imposta pela doença?
Não existe outra palavra a não ser tempo. Você toma um medicamento e espera. Passa mal e espera. Cai o cabelo, sobrancelha, fica horrenda e espera. O câncer é uma doença complicada, que afeta sua família, os amigos e, no meu caso, que trabalho com o público, envolveu todos os que gostam de mim. Andaram escrevendo que fiquei à beira da morte e isso nunca aconteceu. Aliás, à beira da morte, estamos todos os dias. É comum você acordar com notícias de que alguém foi atropelado, morreu de repente, se matou. Recentemente, fiquei chocada com a morte do músico Champignon, por exemplo.

Nesses momentos de transformações radicais, sempre pensamos: por que comigo? Agora que você superou o câncer, o que isso lhe ensinou?
Superar é uma palavra complicada. Superei aquela fase. Mas tenho que continuar tomando remédios, fazendo muitos exames, monitorando a doença. Não gosto de usar a palavra superar porque nada é definitivo. Mas nunca questionei o motivo de estar passando por aquilo. Somos seres humanos vulneráveis. Mas aprendi a ter mais paciência, a não ser tão imediatista quanto eu era. A gente briga por tantas coisas desnecessárias... Depois de um câncer, a vida se torna simples como sempre deveria ser. Hoje me preocupo com o que realmente importa. Estou amando fazer a novela, amando fazer o programa do GNT. Fico o tempo todo ocupada, trabalhando muito e feliz, porque o que mais gosto de fazer é trabalhar.

De onde tirou forças para enfrentar o tratamento?
Ia muito ao Lar de Frei Luiz (centro kardecista, no Rio, que realiza tratamentos espirituais). Lá tive muito acalanto. Busquei lugares que pudessem me dar uma luz, pois me sentia perdida. Nessa casa espírita, conheci mulheres lindíssimas que enfrentavam a doença... A maioria com lenço na cabeça. Eu ia de chapéu, não quis usar peruca.

A perda do cabelo a incomodou?
Achei que não me importaria, mas incomodou, sim. Fiquei com uma penugem... Eu parecia um pintinho, muito magra, aquela magreza que não é saudável. A quimioterapia é muito pesada. Tem uma hora que você entrega a Deus mesmo! Faz o que pode para se tratar, mas sabe que viver ou morrer não depende de você.

Seu filho a ajudou muito, não é? Seu cachorro também...
É verdade! Eles me ajudaram muito (risos). Meu cachorro, Bruno, um golden retriever de 12 anos, e meu filho, Bernardo (Lago Conde, de 34 anos). Não vá confundir os nomes pelo amor de Deus (gargalhadas)! O meu cachorro agora está cardíaco. Falo para ele: Bruno, uma com câncer e outro cardíaco, assim fica esquisito, não dá! Mas estou cuidando dele. Já o Bernardo se mudou para minha casa quando descobri a doença. Assim que recebi a notícia, meu corpo todo tremeu, não conseguia nem chorar.

As especulações sobre seu estado de saúde a perturbaram?
Não. Só achei feio se valerem da saúde de uma pessoa com câncer para especular.

Está namorando?
Ainda não tenho tempo, mas vou namorar muito com certeza (risos)!